em 7 de abril de 2019

O desenvolvimento do órgão auditivo é datado do Paleozóico, entre 550 e 350 milhões de anos, porém a qualidade dos seres vivos em conseguir ouvir e processar os sons é algo muito mais antigo, sendo impossível inferir uma data. O que é claro e instigante, é o fato de que os seres vivos, principalmente nós humanos respondemos de diferentes formas aos mais variáveis estímulos sonoros, essa resposta pode ser fisiológica, psicológica ou mesmo bioquímica (estudo que busca compreender os processos químicos que ocorrem nos organismos vivos).
Anatomicamente, nossa orelha, assim como em inúmeros outros animais, é divida em 3 seções: ouvido externo, ouvido médio e ouvido interno. Vários estudos mostram a influência dos sons em diferentes espécies de seres vivos, sejam eles animais ou plantas e independente de possuírem ou não ouvido, todos de alguma forma são impactados, estudos comprovam a eficácia da utilização de determinadas músicas para o crescimento de plantas, ou até mesmo para relaxamento e até maior produção de leite em vacas.

  • Oxitocina

Vamos falar de nós Homo sapiens sapiens, ao pensarmos na bioquímica relacionada a música, entramos no mundo dos hormônios e neurotransmissores, responsáveis por induzir estados biológicos específicos, por exemplo, imagine-se em um show, no meio da multidão, todos batendo palmas de forma síncrona, estudos indicam que há nessa sincronia um nível maior na liberação de oxitocina, o hormônio do amor. Sendo assim, quando as pessoas sincronizam seus movimentos juntos, fazendo música, dançando, andando ou correndo no tempo da música, elas parecem gostar mais umas das outras, fixar mais as memórias e sentem maior afiliação para com o outro então siga no passinho. [1]

  • Dopamina

O segundo hormônio que vamos abordar, chama-se Dopamina e trata-se de um neurotransmissor ligado a recompensa. Um comportamento que tem valor de sobrevivência, ou seja que favorece o “estar vivo”, tende a produzir dopamina. Pensando em sons, podemos remeter a alguns milhares ou milhões de anos, pensando no silêncio em caçadas para ouvir a presa, bater os pés e fazer barulho em torno de fogueiras, são comportamentos que favoreciam a segurança naquele tempo e liberavam a boa sensação, depois veio a dança, o ritmo e consequentemente a música. [2] A dopamina está muito ligada ao fato de trabalharmos para um propósito, para um motivo maior, antigamente era conseguir sobreviver, hoje vamos muito além, passamos pela realização de metas e apreciação dessas realizações. [2]

  • Cortisol

Agora, provavelmente o parâmetro mais estudado até hoje com relação a música chama-se cortisol, o chamado hormônio do stress. Simplificadamente o cortisol é liberado em nosso corpo em momentos de luta ou fuga, é fundamental para nosso ciclo diário, tem pico no momento em que acordamos e nos mantém extremamente atentos. Claro, como quase tudo, quando em excesso ou ausência, se torna absolutamente deletério, então o pensamento aqui é equilíbrio e a grande estratégia que posso falar sobre equilíbrio do stress chama-se: MÚSICA.
Estudos médicos recentes parecem confirmar o que os gregos pensavam. Música parece trazer frequência cardíaca baixa, pressão arterial baixa e redução dos níveis de hormônio do estresse. Também pode fornecer algum alívio para o ataque cardíaco e vítimas de acidente vascular cerebral e pacientes submetidos a cirurgia. [3]

Poderíamos dividir a música em estimulante e relaxante, onde estudos revelam que músicas estimulantes como o Heavy Metal e o Techno promovem o aumento de cortisol, [4] enquanto música clássica como Mozart, Bach ou sons calmos, promovem o decréscimo de cortisol. [5] Porém como bem sabemos, existem “Technos” relaxantes e “Clássicas” aceleradas, assim acontece em outros estilos musicais também.
O ponto final, está na percepção interna de cada um, sermos conscientes de qual música nos faz bem indica o caminho para perceber quem somos, e assim a música se torna um mecanismo infalível na nossa jornada. Para isso, é preciso percepção e presença de si mesmo em uma viajem sem limites pelo universo musical, então sincronizaremos nossa essência com nossa bioquímica transformando efetivamente a música em alimento para nossa alma.

 

Já que o tema é bioquímica, vamos alterar nossos parâmetros. A playlist de hoje vai de Boris Brejcha a Deadmau5, aproveite e suba seus níveis de Cortisol.

Matth é Dj/Produtor e criador musical, Professor, Biólogo, Especialista em Neuroaprendizagem, Análises Clínicas e Microbiologia.

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