em 5 de dezembro de 2018

“Quando eu digo controlar emoções, me refiro às emoções realmente estressantes e incapacitantes. Sentir as emoções é o que torna a nossa vida rica.” Daniel Goleman.

Iniciando com a frase do autor que realmente tornou o termo Inteligência Emocional um sucesso no mundo todo, também é dele o pensamento que estrutura tal termo – sugiro a leitura de “Inteligência Emocional” – onde a autoconsciência é o ponto inicial, ou seja, nossas grandes vitórias, derrotas, guerras e batalhas estão na verdade do lado de dentro.

Ser emocionalmente inteligente pode ser confundido com deixar de sentir emoções e sentimentos, deixar de ver as cores da vida. Quando na verdade este contexto perpassa antes pelo fato de sermos conscientes daquilo que sentimos e analisarmos o quanto determinada emoção realmente nos favorece e pode permanecer ou o contrário, nos prejudica e podemos excluir. Parece simples, porém quem enfrenta situações das mais variadas possíveis em seu cotidiano sabe o quanto isso parece distante. A situação dos artistas então, pode ser tornar gigante, quando lidar com as suas emoções e as emoções de centenas ou milhares de pessoas as quais estão se conectando com sua música se torna grande e pesado demais até para sua própria existência.

Agimos, aprendemos, aplicamos, manifestamos nossa arte sob a ação de emoções. Emoções são inerentes aos seres humanos, foram elas que nos trouxeram até aqui como espécie, por exemplo o medo que nos faz travar sob determinadas situações, fazendo nos sentir mal, porém também nos manteve distante de predadores ao início de nossa evolução.

Daí a importância de sermos autoconscientes sobre nossas emoções, afinal aquelas situações vividas no momento em que nossas emoções surgiram, como fugir de outros animais, viver grande parte do tempo em árvores, não faz mais parte da vida atual. As atitudes tomadas a partir de nossas emoções nos fazem ser quem somos, a boa notícia é que podemos buscar a intenção para que manifestemos aquelas emoções que nos façam evoluir e sermos quem realmente queremos ser. Biologicamente existe uma série de hormônios e neurotransmissores que nos fazem sentir determinadas emoções, sabendo disso temos condições de tomarmos atitudes para nos levar a estes estados, por exemplo, a serotonina, (controle do humor), terá níveis elevados ao se formular uma refeição rica em determinados alimentos, já a dopamina (controle do movimento, atenção e aprendizado) é produzida a partir do aminoácido tirosina, que pode ser encontrado em alimentos ricos em proteína, uma alimentação adequada, ritmos circadianos, técnicas e rituais, tem o poder de nos trazer a base para os estados emocionais que quisermos.

Ainda, um aspecto chave a se considerar é que as emoções nascem mais rapidamente que a razão e isso pode nos fazer tomar atitudes as quais depois julguemos erradas, sendo assim o ponto crucial sobre a Inteligência Emocional está num contexto chamado “período refratário” ou seja o período logo após a manifestação de uma emoção, onde nosso racional ainda não está agindo. O foco aqui está em monitorar e aguardar este período passar para tomarmos ação, e assim termos uma maior assertividade quanto as nossas decisões, pense no fato de que você está no trabalho e alguém agiu de má fé contigo, fez você se sentir mal em seu ambiente, qual emoção lhe viria automaticamente? Se você agisse neste período emocional o que faria? Agora, imagine que você aguardou, percebeu seu corpo, entendeu que estava sentindo raiva, desprezo, e quando a razão chegou você decidiu sobre o que fazer. Esta é a pessoa que você é de verdade agindo, aquela que é liberta e distante da escravidão do destino, e a aplicação prática da Inteligência Emocional, pense quantos grandes gênios da arte se beneficiariam com tal compreensão. Claro que esta é uma busca contínua em nossas vidas, baseada em sermos melhores e mais evoluídos a cada momento. Paul Ekman sugere como treinamento para atenção nestes momentos, a meditação chamada mindfullness, a qual podemos nos tornar mais conscientes sobre nosso corpo e qualquer mudança em nossa mente.

O aspecto emocional é muito maior do que podemos imaginar, porém quando sabemos de onde estão vindo nossas emoções, já somos diferentes e por isso, quando um artista sabe quem é e coloca as emoções ao seu favor, o fluxo torna-se poderoso e a via que leva a raça humana a estados superiores de consciência se torna real.

 

Matth é Dj/Produtor e criador musical, Professor, Biólogo, Especialista em Neuroaprendizagem e membro da Biohacking Secrets.

 

Fontes relacionadas:

Inteligência emocional – Daniel Goleman

Linguagem das emoções – Paul Ekman

A biologia das emoções – Mateus L. de Cezaro

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